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POST ESPECIAL DE NATAL! Entrevista com a banda BARBARIA!

Olá pessoal, estou com a provavelmente ultima postagem do ano, e como presente venho apresentar pra quem ainda não conhece, uma banda que tive a excelente oportunidade de conhecer em um evento. A banda de Pirate Metal é do estado de São Paulo e foram muito gentis em nos conceder uma entrevista!

Confira!!

barbaria

Como surgiu a banda?

Foi uma longa história, há muito tempo estamos na estrada e o Barbaria é uma parte disso tudo. Um dia, quem sabe, uma biografia não me permita contar como tudo aconteceu. ( Draco)  Não estou desde a fundação, mas participei de boa parte desta jornada e sei que foram muitas mudanças, o que é natural, mas tudo na Barbaria surgiu de maneira espontânea, direta e simples(Marcelo).

Há quanto tempo estão na estrada?

Não sei ao certo, vieram outras bandas antes do Barbaria; Dragonflame, Brotherhood of Wolves. Creio eu, que somando tudo isso, deve ser uns 8 a 10 anos. O Barbaria deve ter uns 4!(Draco) 

Todos os integrantes são os mesmos desde o inicio do grupo?

 Não! Foram várias formações. Eu e o Marcelo viemos do início.(Draco)

Já pagaram algum mico em algum show?

Ahhaha em um show recente, eu pisei num fio que desligou todo o equipamento do palco. Tem muita história por aí, mas que eu lembre agora é essa.(Draco) Fora quando não cospe rum pra cima e cai aquela chuva em cima da guitarra… fica uma beleza… ainda mais quando compro um encordamento novinho e sabe que vai ter que substitui-lo depois do show… Teve aquela vez em Pouso Alegre, que o Draco enroscou o cabo do microfone nos tons da bateria e jogou tudo pro chão… hahahahaha… isso foi épico! (Marcelo) 

O que foi mais difícil que tiveram q enfrentar com a banda?

O mais difícil, em qualquer banda, é mantê-la na questão financeira.É muito que vai e pouco que vem, mas isso é em qualquer uma.(Draco) 

Qual a canção da banda q mais gostam?

Merciless e watery grave. (Murilo) Blackbeard e Watery Grave (Marcelo)

Quais bandas servem de inspiração para a banda e quais mais gostam?

Iron Maiden, Metallica, Rolling Stones, e muitos outros. (Murilo)

Como a família reagiu ao saber q escolheram estar no mundo da música?

Incentivando. (Murilo) Incentivando a fazer o que gosta, mas sempre fui cobrado em ter que dar duro, pois temos que ter outro meio para sustento pessoal e para o sustento da música, o que não é barato neste país.(Marcelo)

O que planejam fazer nos próximos meses?

Gravar. (Murilo) Compor novos sons e manter o entusiasmo de nossas musicas.(Marcelo)

Qual sonho vocês ainda pretendem realizar em relação a banda?

Um sonho quase utopia para mim é viver de música. (murillo) Uma possível turnê internacional, as portas estão se abrindo, acredito que irão aparecer alguns convites ao decorrer dos anos.(Marcelo)

Quais cidades/estados que ainda não foram e gostariam de conhecer?

Eu, particularmente, adoro tocar em Minas Gerais. Mas eu tenho muita vontade de ir pro Nordeste, mostrar nosso som por lá!

O que vocês acham sobre a cena do rock/metal brasileiro?

Está morta faz muito tempo. Aos meus olhos foi morta pelas pessoas que pagam R$500,00 para irem  em um show de banda gringa e não pagam R$15,00 para um festival com muitas bandas do cenário  undergroud.(Murilo) 

Paradoxa e divertida! (Draco)

Acrescentando minha visão ao que o Murilo disse, o cenário principalmente no estado de São Paulo, desvaloriza muito as bandas underground, o que se torna paradoxal, pois existem centenas de bandas no estado, que compoem… Quando tocamos em Minas Gerais, as bandas underground são conhecidas e tem muita importância no cenário local, são valorizadas, ao contrário daqui… que uma banda nacional  é excelente não tem destaque em nenhum canal de comunicação, simplesmente por não ser gringa. Grandes nomes passaram por isso, tiveram que fazer turnês no exterior para provar para a própria pátria que eles possuem muito talento… infelizmente essa é a realidade (Marcelo)

 Vocês acham que a pirataria contribui para o marketing da banda ou atrapalha o desempenho?

Só contribui! O objetivo hoje em dia é divulgar o som, não vender cds. Nós disponibilizamos nosso álbum pra dowload no soundcloud, no 4 shared. E esse é o melhor caminho pra se tornar mais conhecido. Hoje, a cultura do pessoal se tornou em baixar o álbum, um ou outro ainda mantém o hábito de comprar, admiramos isso, mas não tem como condenar os que vão baixar o som. Eles estão conhecendo, gostando, e compartilhando. Não vejo nada mal nisso. ( Draco) 

O download gratuito, é sinônimo de divulgação, é um boca a boca virtual, pois enquanto para divulgar sua música na web para 3000 ou até 1.000.000 de pessoas é muito mais plausível do que você tentar vender este mesmo número de cds físico, isso é quase utópico. (Marcelo)

Um recado para os fãs da banda Barbária:

Agradeço a todos que nos ajudaram nesses anos de jornada, descobrimos pessoas e locais incríveis, estaremos sempre prontos para novas aventuras e desventuras, e contamos sempre com todos vocês. (Marcelo)

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Para quem ainda não conhece o som dos caras, deixo aqui links para vocês conhecerem, e se caso conhecem e querem convidá-los para ir a sua cidade só entrar em contato! 😉

FACEBOOK: https://www.facebook.com/barbariaofficial

MYSPACE: https://myspace.com/barbaria

YOUTUBE: http://www.youtube.com/user/BarbariaOficial?feature=watch

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Deixo aqui meu recado a todos, e desejo deste já um ótimo Natal a todos, boas festas!

E QUE ODIN ESTEJA COM VOCÊS! \o/

Entrevista do Kiko Loureiro para o blog Northern Queens!

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O que você sentiu de mais diferente na cultura Finlandesa?

Kiko Loureiro: O mais diferente da cultura finlandesa é  que eles são super tímidos, mas são pessoas muito legais. Geralmente a vodka e uma sauna ajudam eles a ficarem um pouco mais soltos e conversarem. Eles se orgulham muito de serem pessoas honestas, do país tudo funcionar rápido e sem burocracia porque todo mundo confia em todo mundo. As pessoas do Brasil são muito mais abertas, expansivas, mas todo mundo tem receio e não confia em ninguém.

Pretender voltar pro Brasil ou vai morar na Finlândia por um tempo? 

Kiko Loureiro: Estou morando nos Estados Unidos, na Califórnia e indo pro Brasil direto, porque sempre tem eventos. Ainda não sei quando retornarei para a Finlândia. Ultima vez em que estive lá, foi em fevereiro. É muito bom lá no verão, o ideal seria passar o verão no Brasil e o verão na Finlândia, que são os melhores lugares pra ficar.

Como foi o Show com o Fabio Lione no 70K?

Kiko Loureiro: O show do cruzeiro em Miami com Fabio Lione foi muito bom, tanto que gerou o show no Live n’ Louder em abril, e agora pretendemos começar várias turnês em agosto por causa desse show no 70000 Tons of Metal. Encontrei-me com algumas bandas finlandesas no evento, como o Turisas, o Ensiferum e o guitarrista do Kreator, que é finlandês.

Como será a seleção para o novo vocalista do Angra?

Kiko Loureiro: A gente estava, de fato, recebendo material do Angra pra fazer uma escolha do vocalista. Nós recebemos vários materiais muito bons, têm muitos vocalistas bons no Brasil, é até difícil de escolher. Mas rolou esse lance com o Fabio, e a gente acabou optando por esticar, porque tiveram muitos pedidos de produtores e muitos fãs que queriam ver e assistir esse show. E rolou muito bem com o Fabio, o clima com a banda, ele cantando as musicas… Nós curtimos muito, ficamos muito contentes e animados, e então resolvemos segurar essa ideia da escolha do vocalista, pra poder fazer essa turnê e deixar rolar um pouco. A melhor parte é viajar, subir no palco e tocar as musicas pros fãs, pra quem gosta das nossas musicas. Sempre dá vontade de voltar aos palcos. Então a gente vai fazer isso agora em agosto.

 Matheus Oliveira: Como foi a  sua adaptação cultural na Finlândia?

Kiko Loureiro: A adaptação cultural é sempre difícil um pouco porque qualquer país é diferente. Helsinque tem 1 milhão de habitantes, tem muitos parques, o porto é super bonito, super limpo, organizado, então pra quem mora em São Paulo é um paraíso.

Teve algum fato engraçado que aconteceu com você na Finlândia?

Kiko Loureiro: No inverno eu lembro que fiquei preso numa escola de musica. Lá todo mundo confia em todo mundo e não ter porteiro. Eles te dão a chave e você fica lá sozinho no lugar, não tem ninguém controlando a entrada e saída. Eu fiquei preso, estava tão frio que a porta congelou e não abria. Eu fui tentar abrir com a chave, dar uns chutes na porta, e quebrou a chave dentro da fechadura (risos)… Fiquei preso no lugar. Falaram que tinha que jogar agua fervendo na porta pra ver se descongelava, mas não descongelou. Estava em torno de -15ºC. Eu tive que no meio da noite subir no telhado do lugar e pular uma grade e sair andando e afundando na neve, deveria ter um metro e meio de neve… (risos)… Coisas que um brasileiro nunca imaginou… Coisas que eu nunca imaginei que ia passar na minha vida. Parecia que eu era um ladrão querendo pular o muro de um lugar. Mas no fundo eu estava querendo sair da escola que a porta congelou e não abria… Lá também é muito escorregadio. Quando está com neve é mais tranquilo andar, mas quando está por exemplo em -2ºC fica parecendo um ringue de patinação no gelo.

O que acha das bandas Finlandesas?

Kiko Loureiro: Tem muita banda lá, é impressionante a cultura deles. Já fiz turnê com alguns finlandeses como a banda Nightwitsh, já toquei com a banda Sinergy no Japão… Gravei meu disco o “Sounds of Innocence” na Finlandia, e eu pude ter um pouco mais de contato com eles.  Gravei o disco com o Matias Kupiainen, o guitarrista do Stratovarius e o Pertu Vänskä (irmão do Olli Vänskä , violinista do Turisas), ele é um super musico, faz várias coisas relacionadas a estúdio, então ele também ajudou nas gravações e no arranjo de cordas de uma das músicas. Fui muito bom conviver mais de perto com eles.

Lucas Manfio: O heavy metal na Finlândia é underground como no Brasil?

Kiko Loureiro: Não. No radio você ouve metal… Metallica, Dio, bandas finlandesas… tem muitos cartazes na rua. Quando eu estava lá vi propagandas em ônibus do novo disco do Sonata Arctica, tinha propagandas deles na cidade inteira, também tinha propaganda com o The 69 Eyes, chiclete com a foto do baixista do Nightwish… Lá eles pegaram esse lado do Heavy Metal, a banda Nightwish, por exemplo, sai em revistas famosas como “Caras” de lá. No Brasil temos uma música muito rica, na Finlândia eles não uma riqueza musical como a nossa por ser um país muito pequeno. No Brasil a gente tem outro tipo de artista. Nós no Brasil temos uma mistura de estilos e culturas. Um estilo como o Heavy Metal não vai ser “mainstream” no Brasil. Sempre vai ter algo mais brasileiro e eu vejo isso como algo positivo. Não considero a Finlândia um país mais legal por causa do Metal, pela falta de ter uma música forte local, que talvez o mais forte fosse a musica erudita que é super boa, jazz, big band e outros grandes músicos. Mas a identidade que o Brasil tem da música, na Finlândia não tem. Então o Heavy Metal lá, não é Underground como é no Brasil.

Quais principais diferenças entre a cena brasileira e a finlandesa?

Kiko Loureiro: A principal diferença é que a cena no Brasil é muito forte, porém as bandas brasileiras olham muito para dentro do país. O Brasil é muito grande, tem muitos lugares para tocar, então as bandas começam a tocar em barzinhos de rock, depois querem viajar pro interior de São Paulo, depois tentam fazer shows pelo nordeste, esse é meio que um caminho. Na Finlândia eles não têm esse recurso, lá não tem um lugar específico para tocar, é um país que tem muita pouca gente. Já fui a shows de artistas que são conhecidos lá e que tocam em rádio, e eles tocam pra 500 pessoas nas outras cidades. Por isso tem muita banda de Heavy Metal de lá que a gente conhece, pois qualquer banda que começa lá, eles já começam fazendo um trabalho totalmente voltado para o mercado internacional. Iniciam com site e disco em inglês. O sonho das bandas é tocar em grandes eventos da Europa, ir pros Estados Unidos, tocar no Japão, fazer turnê na América Latina… Essa é a mentalidade deles, por isso eles chegam lá, eles têm essa visão desde o principio e os brasileiros tem uma visão um pouco diferente.

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Quero agradecer a disponibilidade e paciência de Kiko Loureiro para nos conceder essa entrevista. Ele foi super-receptivo e atencioso.

Quero agradecer também a colaboração do envio de perguntas de nossos seguidores, em especial para Débby (e a página do facebook Kiko Loureiro fãs), para o Matheus e ao Lucas pelo envio de algumas das perguntas.

Espero que tenham gostado e em breve traremos mais novidades!!! \o/

Entrevista transcrita por Ane Charon.